25.9.17

Quem ama


Tem vontade de matar
Quando é traído

É faca, furo
Dor, sangue escorrido

Deus seja louvado!
Nenhum órgão vital atingido

22.9.17

Ponha numa balança


E veja que uma saudade
Pesa mais
Do que mil lembranças

21.9.17

Je n'ai jamais nié ma maladie


Toujours admis ma dépendance
Mais être sans vous est un sacrifice

Cause abstinence
La douleur est intense

Et malgué la souffrance
Je suis ferme dans cette

Cela peut prendre du temps
Mais une heure je gagne

20.9.17

Dejo esa historia


Muy sentido
Las heridas
Que en la superficie parecen cicatrizadas
Por dentro todavía sangran
Y necessitarán mucho tiempo
Para estar curadas

19.9.17

Uma verdade


Que ninguém parece desconhecer
É aquela que diz
Que quem ama
É capaz de se humilhar
Não perceber
Ou não se importar

18.9.17

Quelle magie est-ce


Qui fait un rêve
Envahir noux deux
Dans le même temps
Faire ton rêve
Aussi sois mon rêve?

15.9.17

Michelangelo


Pouco antes de morrer em 1564
Finalizou um pequeno trabalho
Pouco menor que a Gioconda de Leonardo
Que ficou desaparecido por 3 séculos
Até ser redescoberto por acaso
Na parede de um pequeno café no Quartier Latin
Quase invisível por causa de um armário

Trazia uma etiqueta dourada onde se lia: "La Campana"
Mas o que mais impressionava nesta obra
É que a figura no centro da tela era tão real e hipnótica
E prendia a atenção do observador de tal forma
Que ele chegava a ver o sino em movimento
E era até mesmo possível ouvirem-se dele emergindo
O som das badaladas do pêndulo

Outro detalhe curioso
É que o quadro tinha sido pendurado torto
E era irresistível o desejo de ir até ele para nivelá-lo
Mas quando se liam as advertências no canto inferior da tela
Ficava clara a intenção do artista
Na transcrição de uma nota explicativa
Anotada no verso da composição:

"Não toque/Não desentorte
É exatamente por causa desse capricho na posição
Que se consegue fazer com que um reles mortal
Possa visualizar a imagem da perfeição"
E de fato há relados de que quando se endireitava a imagem
A epifania se perdia e nada mais se via
Além de uma vulgar combinação unidimensional de tintas

As últimas notícias ouvidas sobre a preciosidade
Davam a saber que ela tinha sido confiscada
Pelo próprio Hitler em 1942
Com a alegação de ser arte degenerada
De nítido apelo fálico-erótico
Um objeto cilíndrico e comprido
Se agitando dentro de um buraco sonoro

Mas a justificativa que parecia mais verídica
É a de que o dono do café tinha ascendência judaica
Era sodomita e um militante anarquista
Por fim também falavam que o Führer morreu com ela abraçada
Em seu bunker por ocasião do suicídio em 1945
E que depois disso nunca mais foi vista
Que não está em catálogos e por isso tende a ser esquecida

14.9.17

Estar aberto


Faz mudar o pensamento
Permite que um novo entendimento
Aceite diferentes comportamentos
Impensáveis até um dado momento
Deixa aquele que muda mais sereno
E melhor adaptado ao seu tempo

13.9.17

Meia-noite


Espero juntarem-se os ponteiros
E com as duas mãos
Tento paralisar o tempo

Eternizar o momento
Não deixar escapar
Nenhuma fagulha desse sentimento

12.9.17

Não havia como


Acompanhar o teu discurso
A tua doce melodia
Sem olhar-te as mãos
Verdadeira extensão da tua língua

Eram batutas
Que se moviam marcando o ritmo
Algumas vezes caótico
Outras bastante repetitivo

Se reparares bem
Era todo o corpo que em ti se expressava
Sequencias de notas, pausas
Uma anatomia ao mesmo tempo generosa e recatada

Um delicado arranjo de palavras
Inebriantes compassos
Rimas virtuosas
Poesia sensual e bem elaborada

Mas o tempo caminha num único sentido
E eu demorei para reconhecer
A beleza deste arranjo que agora está perdido
Hoje não há mais nada que possamos fazer

Não escrevemos versos em parceria
Estão perdidas todas as nossas harmonias
Não executaremos juntos nem ao menos uma ária
Das composições mais conhecidas

11.9.17

I never know


If you come in fact
That's why I can not get out
I stand here
Waiting for a sign
Get me off the groud
And take me back to
Where I most want to be
Up there

6.9.17

Problemi complessi


Non vengono risolti
Com soluzione semplici

5.9.17

C'etait seulement


Un bon rêve
Dont
Nous avions
Que
Se réveiller
Et accepter
Que
C'etait seulement
Un bon rêve

4.9.17

Aquel poema codificado


Pretensamente enigmático
Hasta mismo impenetrabel
Es una inutilidad cifrada
Una tonteria
Que sólo interesa a quien lo escribe
Un disfraz que viste el vacío
Con algo que no significa nada

1.9.17

The technology


Nos hace confundir
Il vero con la fantasia
Est source de grand enchantement
Able to make us believe
Que el mundo puede ser enorme
O molto picccolo
Dans le même temps

31.8.17

Cell phone


Who could wait
That a device
Developed
For those who are far away
To approach
Today serve more
For those close up
Move away?

30.8.17

Espero


Que el mismo fuego de la pasión
Que un día ablandó tu corazón
Ha generado suficiente calor
Para remodelar a tu mente
Y hacer evaporar de ella
Las ideas
Que te alejaron de mi
Y que has llegado a aceptar
Como inmutables y perenes

29.8.17

Gozo e sofrimento


Quem diria

Cada qual foi rei
Em seu momento

Mesmo que só por um dia

Vão-se os amores
Fica a poesia

28.8.17

Esta noche


Sin dejarte partir
Una vez más
Te ahogo en la bebida
Para conseguir dormir

25.8.17

No intentes alejarme


Conectar la televisión
Abrir el periódico
Darme la espalda
Cerrar los ojos
Fingiendo dormir
Quando nos acostamos
No tienes como huir
Quiera o no
Si me aceptaste en nuestra cama
Es porque estoy dentro de ti
Así como estás dentro de mí

24.8.17

Por trás desta tua alegria extrema


Mora uma tristeza
Mantida prisioneira
Num quarto com janelas altas
Porta reforçada
Trancada tal alcova de princesa

Isolá-la do mundo
Não a fez desaparecer
Acendeu-lhe a revolta e deixou-a mais atenta
Na primeira oportunidade que teve
Escapou usando de toda a sua destreza

E agora livre e fora de controle
Não deixará de usar os poderes acumulados
E pelos anos de exílio forçado
Executará seus planos de vingança
Carrega a certeza que de seu carcereiro não terá pena

23.8.17

Afirmavas com propriedade


- Minha matéria é lenhosa e nobre!
E assim justificavas a tua inflexibilidade

Pode ser até que naqueles tempos isso fosse uma verdade
Orgulhosa, constituías uma corte, cercada de outras árvores
Não tinhas mesmo motivo para te curvares

Mas veio o desmatamento avassalador
Que a deixou isolada no fundo do vale
E seguiram-se ventos de várias intensidades
Até que um mais forte fez tombar sua magestade

Teu desaparecimento foi rápido
Começou assim que ao chão chegaste
Serviste de alimento para decompositores vorazes
E para a relva, planta sem nenhuma notoriedade
Mas munida de raízes insaciáveis

22.8.17

Mais um inverno que nunca termina


A lareira é uma boca escura e oca
Minhas mãos inúteis e perdidas
Não mais te acham para receber minhas carícias
O aroma frutado e ressequido da borra de vinho
Ainda ressente no fundo da única taça agora vazia
Não há cobertas que me bastem
O frio me invade pela espinha
Anestesia os sentimentos
Embaça as memórias
E a tudo paralisa

21.8.17

Pessoas peixe


São prisioneira do meio
E mesmo que tangenciem a superfície
Visualizem o outro lado
Identifiquem que lá há uma outra realidade
Precisam permanecer submersos
Na segurança de seu mundo aquático
Porque sabem que fora dele
A morte é certa
E o destino de seus restos
Pode ser dramático

18.8.17

La legge che ci rende umani


Non permette di scegliere

Amare
Ci vuole
Per preservare la specie
Per preservare la specie
Ci vuole
Amare

17.8.17

Sentia tua estranha presença


Dentro de mim todo o tempo.
E incomodado com isso
Tratei de te procurar
Em alguns de meus endereços.

Percorri memórias
Pensamentos
Regiões do prazer
Os cantos mais sombrios e estreitos.

E sem conseguir te encontrar
Quanto já estava quase para desistir
Eis que te reconheço escondida
Vestida e disfarçada com alguns de meus melhores sentimentos.

Precisei ser firme neste momento
Para conseguir te olhar de frente
Constatar que não tinha mais saudades
E que não havia mais qualquer envolvimento.

E assim como o fim de um encantamento
Desfizeram-se de vez as fantasias
E foi possível encerrar
Este difícil capítulo de minha vida

16.8.17

Ci sarà sempre


Meno barche
Che mari a navigare

Meno sogni
Che notti a sognare

15.8.17

Memória é fato


Saudade é sentimento
Presença na ausência
Encontrar dentro
O que pode estar fora
Faz tempo

Filme de época
Catalogado e arquivado
Mas exibido no presente
Estaremos sempre no enredo
Fiquemos tristes ou contentes

14.8.17

Sugiro


Desprezar limites
Eliminar resistências
E mergulhar de vez nesta história
Para valer a pena
E ter do que se lembrar
Agora é definitivo
Nosso tempo é ínfimo
Esse amor já tem hora pra acabar

11.8.17

Reservemos o coração


Todo o carinho e dedicação
Quando regalados com nossas presenças
E não nos cobremos mais amor
Nem soframos por qualquer dor
Só por não conseguirmos evitar nossas ausências