23.7.09

Anodinia


(para Ivete Tannus)

Solstício de inverno
Frente a janela
Por longo tempo parado

A rua não convida
Uma cômoda paralisia se instala
E o sentimento é nenhum

Com o rosto colado no vidro
Observo o condensado opaco
De meu hálito matutino

Com o dedo escrevo:
As alegrias que tive
Criei-as todas
Nenhuma me veio porque quis
Usei-as enquanto pude
Mas escaparam-me
(Sem exceção)
Assim que dormi

Um comentário:

Rui disse...

De fato as alegrias são tão fugidias como o vapor condedensado no vidro, mas não só elas, também as tristezas e a própria vida.
Rui