28.6.13

Se sentimento é algo maior que a razão



É  injusto que o bom senso saia vitorioso
Quando seus argumentos se opõe aos do coração

27.6.13

Não se esquece alguém por decreto



Não se deixa de amar
Só com o querer

É preciso que haja demérito

Ao menos um fato
Para o amor desaparecer

26.6.13

As nuvens estão paradas



Como que congeladas

No horizonte
Os morros se movem

E se embaraçam
Feito cabeleiras desesperadas

Tudo me parece ao contrário

Até ontem eu era feliz
E não raro chorava

Hoje uma tristeza profunda me invade
Mas não me escorre uma lágrima

E mantenho esse sorriso idiota na cara

25.6.13

Quanto vale um verso?



Qualquer um
Mesmo esses mais elaborados

Que tanto esforço exigem
Para deixá-los menos afetados?

Nada
E disso sei muito bem

Não valem o suficiente
Para matar a fome de alguém

Ou para dar alguma bebida
Que acalme a dor

Daqueles que (em segredo)
Sofrem por amor

24.6.13

Quando se coloca o amor em dúvida



O olhar recua
Uma luz se apaga

Um buraco
Sob os pés se abre

E assim é possível sentir
Na carne

Como de fato age
A lei da gravidade

21.6.13

Haiku inspiration 27


A terra se fecha
Sob o inverno sem chuvas
Poucos no verão

Provaste o teu amor



Descendo ao inferno
À minha procura

Me encontraste
Em condições indignas

Venceste os demônios
Que me infectavam

Feriste com gravidade as mãos
Te queimaste

E sozinha me carregaste
De volta ao mundo dos vivos

Cuidaste de minhas pústulas
Perdoaste as minhas fraquezas

Me fortaleceste
E mais uma vez me mostraste

O bom caminho a ser seguido
E eu nem te agradeci por isso

20.6.13

Meus rios aqui de dentro



São tão heterogêneos
E correm com uma irregularidade
Que até mesmo a mim confundem e apavoram

Às vezes caminham lentos
São pacíficos regatos
Com invisíveis correntezas
Verdadeiros lagos
Em que me vejo refletido
Sem distorções
E aí me reconheço

Outras ruidosas cachoeiras
Acoitando as rochas
Armadas de toda a fúria e revolta
Ganhando espaço
Às custas de tudo que no entorno é mais fraco
Neste caso não há reflexos
Mas ainda assim sou eu o que vejo
E isso me deixa assustado

19.6.13

O tempo lava o ser



Desde que o ralo tenha sido desentupido
Pelo arrependimento

Haja água suficiente
Para amolecer a maldade

Uma esponja de consistência firme
Para esfregar as máculas com sinceridade

Um bom sabonete
Com aroma de verdade

O banho dure tempo suficiente
Para fazer escorrer toda a sujidade

E uma toalha felpuda e macia enxugue o corpo
Restaurando de vez a dignidade

18.6.13

Quando beijei-te as costas



Foi para tocar de forma diferente
O exato ponto do teu corpo
Em que pela primeira vez pousei minha mão
De um modo mais ousado e inconsequente

17.6.13

Não te deixes aprisionar



Na mesma armadilha
Em que me permiti cair

Não me ames tanto
A ponto de só sofrer

Quando eu vier a faltar
Outra vez

14.6.13

A gente ouve



A gente fala
A gente vê

Além disso tudo
Consigo escrever

Para que quando eu me for
Algo reste de mim

E se acontecer de alguém ler
Aquilo que deixei

Poderá não se sentir tão só
Quando encontrar algo de si

Nas coisas que vivi
Senti e tentei entender

13.6.13

Não existe meio amor



Quando se divide
O amor se multiplica

E ao se multiplicar
O amor se soma
Fazendo transbordar o tambor

O amor só fortalece
Mesmo a quem no entorno
Se alimenta apenas das sobras

A única operação que faz secar o amor
É a subtração
E é muito triste morrer por atrofia e inanição

12.6.13

Não faço sexo por obrigação



Só faço se houver amor
Não faço sexo por compaixão
Só faço com diversão
Não tenho envolvimento casual
Só me envolvo se houver paixão
O problema é que vivo apaixonado
Não me vejo em outra condição

Obs.: Feliz dia dos namorados!

O belo não está no perfeito



Mas não se deve deixar de buscar
A impossível perfeição

A beleza está nos pequenos defeitos
Naquilo que não conseguimos resolver

No que nos faz verdadeiros
Humanos todos são

11.6.13

Cena de cinema


Numa manhã fechada
Cinzenta e fria
Quando tudo parecia perdido

Um ipê abarrotado de cor
Chovia seu roxo numa rua
Cujo único encanto era o tapete
Que se formava no seu entorno

Parada e bem agasalhada
Uma jovem
Com um sorriso largo
Recebia no rosto este prêmio inusitado

Passei rápido
Não parei
Nem fotografei
Tive medo de atrapalhar

Naquele momento tive a certeza
E o privilégio de vislumbrar
A verdadeira expressão da felicidade
Coisa que só o amor pode proporcionar

Algumas esquinas



Morrem dentro da gente
Todos os dias

Para que caminhos
Mais desembaraçados se abram

Retifiquem-se as estradas
Torne-se mais simples a vida

Mudar isso pode ser perigoso
E nem mesmo sei se alguém deveria

10.6.13

Há dias em que a vida



Não prestigia a vida
Desconsidera o amor
Exige respeito às convenções
É enlouquecedor

Ação e paralisia
Gritos e silêncio
E o aceite das contradições
Sempre acaba em sofrimento

A dor engorda
Ocupa os espaços
Se fortalece
Transborda

Vaza pelas janelas e por debaixo das portas
Atravessa a calçada
Na sarjeta
Se transforma em enxurrada

Segue ladeira abaixo
Numa ensandecida disparada
Arrasta o indivíduo
Como um saco de lixo

E o abandona
Enroscado num bueiro qualquer
Ferido e cansado
Triste e só

No meio do nada
Perdido longe de casa
Chorando
E clamando por resgate

7.6.13

Nesta noite tive febre



Mas já passou

O estômago me doeu um pouco
E ainda enjoo

Cada centímetro de minha pele
Reclamou a tua presença

Agora suo e sinto frio
Na cabeça um vazio

Toda a minha natureza
Sofre com a abstinência

É preciso aprender a caber



No pequeno espaço
Que existe
Entre o fim e o começo
Do ser

6.6.13

Se não houvesse entre nós tantas léguas



Meu cavalo
De cansaço não morreria

Se não houvesse entre nós tantas milhas

Meu avião
No mar não cairia

Se não houvesse entre nós tantos quilômetros

O motor do meu carro
Não fundiria

Se não houvesse entre nós tantos passos

Eu teria suficientes sapatos
E acabaria por cair em teus braços

4.6.13

Naquela manhã



Gravaste o teu amor
Em cada canto que eu pudesse olhar
Em cada objeto que eu pudesse tocar

As marcas deste sentimento
Pouco a pouco mudaram-se para as minhas mãos
E me acompanharam ao longo do dia

Tua estratégia foi perfeita
Não poderia haver melhor presente
Pois cada vez que as via
Era indisfarçável a minha alegria

3.6.13

Ocupamos todo o terreno



Não há como expandir a nossa casa
Para melhorar o conforto
Só nos resta simplificar

Derrubar paredes
Unir ambientes
E doar tudo que não nos serve mais