12.4.18

O lugar da poesia


Não é nos cadernos quase cheios
Nos livros amarelados
No verso das fotografias de outros tempos
Nos cartões postais de tantas idas e vindas
Nas folhas esquecidas nas gavetas

O lugar da poesia

É no sangue que ferve
Nas bocas que não se fecham
No suor que escorre na pele
Nos peitos arfantes
Nas orelhas atentas

O lugar da poesia

É na vida inteira
No que há de importante e na besteira
No interior das cabeças
No que o ser tem de nobreza
No que nos faz humanos e dá sentido à existência

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